Descobri que ainda não consigo falar de ti sem ser invadida por raiva, o que irrita ainda mais do que só o simples facto de ter que falar de ti a alguém.
Ontem falei de ti. Fizeram-me falar.
Lembrei-me do que senti quando descobri.
Nunca te disse mas sempre soube. Desde o inicio. Desde o lugar no banho que lhe querias guardar. A ela e não a mim a quem dizias amar.
Nesse dia o meu mundo caiu e até saires do carro naquela noite, em que as lágrimas me caiam mais do que em qualquer outra, não se voltou a erguer.
Quase que acreditei nas tuas lágrimas uma vez.
Julguei-te arrependido, tive por momentos a ilusão de que tudo ia voltar a ser como antes, de que iamos voltar a dançar na rua e a andar de baloiço.
Dias mais tarde descubro que quase a levaste ao céu, enquanto a mim me ias dando, a pouco e pouco o inferno.
Não tive coragem de te mandar embora. Não tive coragem de te dizer nada.
Esperei.
E durante mais de um mês essa espera aumentou a minha mágoa e fez com que hoje não consiga acreditar, não consiga amar.
Antes não conseguia perceber como é que se podia dizer "Amo-te" a alguém sem realmente o sentir. Hoje não consigo perceber como é que se diz "Amo-te"...